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Sentinela do Norte: a ilha “intocável”

Sentinela do Norte

Você sabia que existe uma ilha remota no Golfo de Bengala que está oficialmente fora do alcance do restante da população mundial? Estamos falando da “intocável” Sentinela do Norte. 

Os habitantes dessa ilha são considerados povos primitivos, que não são acostumados a ter contato com o mundo exterior. Tanto que não se sabe ao certo como eles chegaram até a ilha, mas pesquisadores acreditam que os sentineleses vivem naquela região há mais de 60 mil anos. 

Neste post, vamos descobrir os mistérios de Sentinela do Norte, a ilha que deveria ser intocável. Confira! 

Séculos de isolamento

Isolados no Oceano Índico, a mais de mil quilômetros de qualquer civilização moderna da Índia continental – país responsável pelo território – muito pouco se sabe sobre a história dos sentineleses.

São considerados um dos povos mais primitivos e ameaçados da Terra. Com sua origem marcada pela migração da África há 60 mil anos e pelo seu estilo de vida de caçadores-coletores, uma das poucas tribos assim no mundo.

Fora essas informações, somente eles sabem mais sobre a própria história. 

As tentativas de contato com os sentineleses

Ida dos britânicos a Sentinela do Norte em 1880

A primeira tentativa de contato com os sentineleses aconteceu no final do século XIX, com um grupo de navegadores britânicos, comandados por Maurice Vidal Portman

Essa foi a primeira tentativa de conhecer os costumes e culturas dos moradores da ilha. Mas esse interesse saiu do controle, pois ao chegarem na ilha os navegadores capturaram seis sentineleses (dois idosos e quatro crianças) os levando para Londres. 

O intuito dos britânicos era descobrir mais sobre a origem desse povo, porém, como era de se imaginar, eles não conseguiram se comunicar com os sentineleses. O casal de idosos acabou falecendo devido à exposição de doenças, e com isso, os navegadores decidiram levar as crianças de volta à ilha. 

Não se sabe ao certo, mas esse retorno das crianças pode ter desencadeado uma tragédia sanitária na ilha, já que as crianças também foram expostas a outras doenças. 

Antropólogo indiano em 1967

Após a falha tentativa de contato dos britânicos, uma nova expedição de antropólogos indianos foi até a ilha em 1967, para também tentar entender mais a origem desse povo. 

A viagem foi liderada pelo antropólogo T.N. Pandit, que conseguiu entrar na ilha e explorar o ambiente, encontrando cerca de 20 cabanas, fogueiras e alimentos cozidos, mas por algum motivo não encontrou os habitantes. 

National Geographic em 1974

Uma das tentativas de exploração mais frustrantes da Ilha Sentinela do Norte com certeza foi da equipe do National Geographic em 1974. Nesta visita o diretor do fracassado documentário levou uma flechada na perna.

A equipe era formada pelo diretor, um fotógrafo e dois policiais armados, mas ainda assim a visita não durou muito. Eles nem precisaram desembarcar para começarem a ser atacados pelos sentineleses que se sentiram ameaçados desde a primeira vista. 

Os policiais, que usavam roupas com proteção acolchoada, desceram primeiro e colocaram vários presentes na areia como cocos, panelas de alumínio, um porco vivo amarrado e brinquedos.

Ao contrário do esperado, os sentineleses voltaram a atirar flechas, foi o momento em que acertaram o diretor do documentário.

No final, eles ficaram apenas com os cocos e a panela de alumínio, matando o porco e o enterrando com os brinquedos deixados pelos policiais.

Autoridades indianas vão à Sentinela do Norte em 1991

Em 1991, as autoridades indianas, junto da antropóloga Madhumala Chattopadhyay (primeira e única mulher a participar de uma abordagem aos sentineleses) tentaram novamente estudar a comunidade de Sentinela do Norte. 

Ao contrário das outras vezes, pode-se considerar essa a abordagem mais bem sucedida. O grupo indiano jogou vários cocos na água e alguns sentineleses se aproximaram para recolher, mas estavam portando arcos e flechas como defesa. 

Meses mais tarde, as autoridades e a antropóloga retornaram mais uma vez até a ilha, com um grupo maior, já que a administração da expedição queria que os sentineleses conhecessem todos os membros envolvidos. 

Dessa vez, os habitantes da ilha fizeram um contato mais longo com os visitantes, aceitaram os cocos e chegaram bem próximos deles.  No entanto, quando um dos tripulantes tentou pegar um acessório de folhas de um nativo, este retirou uma faca e fez sinal para o grupo ir embora.

No vídeo abaixo você pode ver com mais detalhes como foi esse encontro:

Depois dessa segunda visita, tentaram uma terceira, mas sem sucesso devido ao mau tempo. A partir daí, as viagens ficaram cada vez menos frequentes para evitar que os sentineleses se contaminassem com as doenças dos estrangeiros, resultando em uma restrição de visita na ilha.

Tsunami em 2004

Em 2004, ocorreu um dos maiores tsunamis da história da humanidade, que atingiu grande parte dos países banhados pelo Oceano Índico. 

Com receio de que a população de Sentinela do Norte tivesse sido dizimada com a chegada do Tsunami na ilha, as autoridades indianas mandaram helicópteros para sobrevoar o local, em uma tentativa de salvar possíveis vítimas. 

Porém, quando o helicóptero da guarda costeira estava sobrevoando a ilha, ele foi recebido a flechadas por membros da tribo, provando que os sentineleses, ou pelo menos parte deles, havia resistido à tragédia. 

Missionário norte-americano em 2018

Em 2018, aconteceu um dos episódios mais famosos dessa tentativa de contato com a ilha que deveria ser intocável. Um missionário norte-americano (chamado John Allen Chau, de 27 anos) infringiu a lei e pagou alguns pescadores para o levarem até a ilha.

Foram duas tentativas. Na primeira, o missionário chegou próximo da ilha, dentro do barco com os pescadores, onde logo os sentineleses perceberam e começaram a atirar flechas em direção ao barco. No diário escrito por John, ele relata que nessa primeira tentativa de comunicação, uma das flechas atingiu sua bíblia.

Na segunda tentativa, o missionário desceu do barco e pediu para os pescadores irem embora, pois segundo ele, os habitantes da ilha estavam com medo do barco e dos pescadores, por isso atingiram daquela maneira da primeira vez. 

Infelizmente, esse não era o problema. Na verdade, os sentineleses estavam incomodados com a presença de todos e novamente atiraram flechas contra John, que foi atingido e morto. Os pescadores que viam a cena de longe disseram que após ser morto, o missionário foi enterrado na areia pelos nativos. 

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Depois da tragédia com John, as autoridades do governo indiano ampliaram a linha de restrição marítima até a ilha, para evitar outros casos parecidos. 

Afinal, o ideal seria deixar os moradores de Sentinela do Norte isolados desde a primeira tentativa de contato, já que, aparentemente, esse é o desejo de todos eles.  

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